
INSTRUMENTOS DO ORITAHITI IDUMENTARIAS:


A indumentária taitiana é uma expressão viva da cultura Mā‘ohi. Cada traje, cor e material carrega um significado espiritual, natural e social. No ʻOri Tahiti, a roupa não é apenas um ornamento: é parte essencial da narrativa, traduzindo em formas e texturas o mesmo sentimento que o corpo dança. Assim como na Hula havaiana, há protocolos e coerência cultural na escolha do que vestir, pois o traje é considerado uma extensão do Maná a energia vital do dançarino.
O SENTIDO DAS VESTIMENTAS
Nas danças taitianas, o corpo é o primeiro instrumento. Por isso, o traje serve para realçar o movimento, honrar a natureza e representar o tema da coreografia, geralmente estuda-se o conteúdo do himene(musica) e a partir dele é que confeccionamos os trajes. Elementos usados como: fibras, folhas, flores, conchas e tecidos naturais conectam o dançarino aos deuses e aos ancestrais e a natureza num processo de unidade e energia. Historicamente, o vestuário taitiano era confeccionado a partir de materiais extraídos da terra: folhas de purau (hibisco), autī (ti leaf), fibras de coqueiro, cascas de árvore (tapa) e flores tropicais. Esses materiais não eram apenas decorativos: cada um possuía uma vibração espiritual específica, usada em cerimônias, danças e ritos.
O PAREO SÍMBOLO DE LIBERDADE E IDENTIDADE
O pareo (ou pāreu, no tahitiano original) é talvez a peça mais reconhecida da Polinésia e para nós do Brasil seria a nossa “Canga”. O Pareo é um tecido retangular leve e colorido, tradicionalmente pintado à mão com motivos florais, marinhos ou geométricos. Pode ser usado de inúmeras formas como saia, vestido, lenço, ou amarrado sobre os ombros e expressa liberdade, feminilidade e identidade cultural. No contexto do ʻOri Tahiti, o pareo é usado principalmente em ensaios, apresentações informais e na dança Mehura, por sua fluidez e leveza que acompanham os gestos suaves e graciosos. Sua versatilidade faz dele uma das peças mais simbólicas da cultura polinésia, assim como o paʻu skirt no Havaí.
A SAIA DE FIBRAS NATURAIS ÍCONE DO ORI
A saia de fibras (em tahitiano, MORE) é o traje mais característico das danças taitianas tradicionais. Ela é confeccionada com fibras vegetais geralmente das cascas secas e tratadas do hibisco, coco, pandanus ou ráfia que são secas, raspadas e amarradas em camadas. Quando o dançarino se movimenta, as fibras criam um efeito visual vibrante, destacando o ritmo dos quadris e a energia da música. Para a ʻŌteʻa, por exemplo, usa-se a saia longa e volumosa, muitas vezes tingida de cores vivas (vermelho, amarelo, marrom ou natural). As dançarinas costumam usar um top feito de conchas, cocos ou fibras trançadas, enquanto os dançarinos utilizam cinturões e adornos que deixam o tronco livre, simbolizando força e liberdade. O MORE é considerado sagrado: representa a relação direta com a terra e os elementos, e exige respeito na confecção e no uso.
TRAJES PARA “MEHURA” COM ELEGÂNCIA E SUAVIDADE
Na dança Mehura, os trajes são mais leves e refinados. Geralmente, as mulheres utilizam pareos longos, saias de tecido fluido e blusas rendadas ou tops florais, enquanto os homens usam pareos lisos amarrados na cintura. A escolha das cores e dos motivos reflete o tema da coreografia natureza, amor, mar ou espiritualidade. Assim como na Hula ʻAuana havaiana, a Mehura valoriza o gesto e a harmonia, e o traje reforça a beleza poética da dança.
A CABEÇA E O CORPO COMO ALTAR DENTRO DA COMPOSIÇÃO DE ADORNOS
Os adornos de cabeça e corpo (em tahitiano, Hei ou Tahei) são essenciais.
As coroas, colares e cintos são feitos com flores, folhas, sementes e conchas cada uma
escolhida por sua cor, perfume e simbolismo. Por exemplo:
- O ʻautī (folha de ti) é usada para proteção espiritual.
- As flores de tiare tahiti representam pureza e ligação divina.
- As sementes e conchas evocam o oceano, berço da vida.
Esses adornos não são apenas decorativos: são extensões do espírito do dançarino, que se prepara para a dança como quem se prepara para um ritual sagrado. No Taiti, preparar o corpo com flores e folhas é um ato de respeito à natureza o mesmo princípio que rege o uso do Lei na Hula havaiana.
PROTOCOLOS E RESPEITO CULTURAL
Embora o ʻOri Tahiti seja hoje dançado no mundo todo, há protocolos tradicionais que orientam o uso das roupas:
- Cada traje deve corresponder ao tipo de dança e ao contexto (cerimonial, espetáculo ou competição).
- É importante não misturar estilos de forma superficial, respeitando as origens de cada peça.
- Os adornos naturais devem ser feitos com intenção e consciência, pois representam oferendas à natureza.
- A forma de vestir-se reflete a relação espiritual do dançarino com o tema e o espaço sagrado da performance.
Assim como na Hula, onde o dançarino se veste com reverência e propósito, no ʻOri Tahiti o traje é uma extensão da alma e da história do povo mā‘ohi.
O VESTIR COMO RITO
Em resumo, vestir-se para dançar o ʻOri Tahiti é um rito de passagem entre o cotidiano e o sagrado. O corpo adornado torna-se instrumento do espírito e cada fibra, flor e cor conta uma parte da história polinésia. No ritmo dos tambores, o tecido, o gesto e o perfume das flores se unem para transmitir a mensagem mais
profunda da cultura taitiana:
“Dançar é viver em harmonia com a Terra, o Oceano e os Ancestrais.”
INSTRUMENTOS DO ‘ORI TAHITI A “BATERIA” TAHITIANA
No ‘Ori Tahiti, a música é conduzida por uma bateria de percussão que dita o pulso, os cortes e as mudanças coreográficas especialmente no ‘Ōte‘a (dança rápida e vigorosa). O conjunto clássico reúne três tambores principais, às vezes com instrumentos auxiliares.
1) Tariparau (pahu/paʻu), “o coração grave” O que é: Tambor de duas peles (tradicionalmente pele de tubarão; hoje também cabra/vinil), tocado com uma baqueta. Função: marca o pulso básico e dá “corpo” ao ritmo, é o baixo da bateria. Indispensável no ‘Ōte‘a.
2) Fa‘atete “o agudo que corre” O que é: Tambor de uma pele, corpo de madeira (coco/breadfruit), tocado com as mãos ou duas baquetas na prática moderna.[
Função: faz texturas e variações sobre o pulso do Tariparau; ajuda a conduzir acelerações, respiros e clímax.
3) Tō‘ere (pātē), “a voz do Taiti” O que é: Tambor de fenda (tronco escavado); timbres mudam conforme o ponto de ataque e a espessura da madeira.
Função: articula os sinais (entradas, cortes, mudanças de passo) e desenha os motivos rítmicos que dão assinatura ao grupo. É o mais difícil de dominar.
4) Pahu Tupa‘i rima “o grave de mão” (opcional/apoio) O que é: Tambor alto, de uma pele, tocado com as mãos. Função: reforça graves/intermediários e dialoga com fa‘atete e tō‘ere em padrões (pehe).
SINAIS E CORES SONORAS (SUPORTE)
IHARA (bambu/fenda), VIVO (flauta nasal) e PU (concha) podem aparecer para sinalizar inícios/encerramentos e colorir introduções.
COMO A BATERIA SERVE ÀS DANÇAS
‘ŌTE‘A (rápida, vigorosa)
Predomínio absoluto da percussão: Tariparau (pulso), fa‘atete (textura) e tō‘ere (comandos e frases). O tō‘ere marca entradas/cortes e mudanças de desenho no palco; o conjunto inteiro sustenta resistência e sincronia dos dançarinos.
‘APARIMA
‘APARIMA VĀVĀ (silenciosa): narrativa sem canto, gestos sentados/ajoelhados; acompanhada pela percussão (fa ‘atete/ tō ‘ere).
‘APARIMA HĪMENE (cantada): aqui entram as cordas ʻukulele e violão como influência moderna/ocidental, junto a percussões leves. Em competições atuais (Heiva), guitarra e ʻukulele são autorizados.
Nota histórica: o ʻukulele taitiano (variação local, som mais agudo/aberto) deriva do ʻukulele havaiano e consolidou uso em Aparima, hīmene e canções contemporâneas.
MATERIAIS, CONSTRUÇÃO E TÉCNICA (EM LINHAS GERAIS)
- Tariparau/pahu: casco de madeira; duas peles; tocado com baqueta; “batida-mãe” do conjunto.
- Fa‘atete: madeira (coco/breadfruit), uma pele; hoje muito visto com duas baquetas; timbre agudo e cortante.
- Tō‘ere: tronco escavado; tocado com baqueta cônica; varia timbres conforme a área do golpe; dá os sinais.
- Pahu tupa‘i rima: pele única; mãos; preenche graves/variações
A bateria tahitiana é formada por tariparau (baixo/pulso), fa‘atete (textura/velocidade) e tō‘ere (sinais/motivos); às vezes soma-se o pahu tupa‘i rima.
O ‘Ōte‘a depende quase exclusivamente da percussão.
O ‘aparima hīmene mistura percussão + cordas (ʻukulele/violão), uma inserção moderna que se tornou parte da prática atual.
IHARA (bambu/fenda), VIVO (flauta nasal) e PU (concha) podem aparecer para sinalizar inícios/encerramentos e colorir introduções.
COMO A BATERIA SERVE ÀS DANÇAS
‘ŌTE‘A (rápida, vigorosa)
Predomínio absoluto da percussão: Tariparau (pulso), fa‘atete (textura) e tō‘ere (comandos e frases). O tō‘ere marca entradas/cortes e mudanças de desenho no palco; o conjunto inteiro sustenta resistência e sincronia dos dançarinos.
