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NOVA ZELANDIA – AOTEAROA

 

BEM VINDO AO GRANDIOSO UNIVERSO DOS POVOS ORIGINARIOS MAORIS

A sociedade Māori baseia-se em valores como whanaungatanga (relações de parentesco e comunidade), mana (autoridade, prestígio), tapu (sagrado), noa (estado normal), e kaitiakitanga (guarda/proteção da terra).

Os espaços comunitários designados são os “marae” (lugar de reunião) onde acontecem cerimónias de boas-vindas (pōwhiri), de discursos, de hāngi (cozimento tradicional) e outros rituais.

Instituições culturais sérias incluem o Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa (Te Papa) museu nacional que integra a biculturalidade Māori/Europeia.

Nesta seção, para público brasileiro, podemos explicar o que são iwi/hāpū, a língua Māori (te reo Māori), os rituais de chegada à terra (carving, whakataukī – provérbios), a tatuagem tradicional (moko) e seu significado simbólico, o papel da natureza e dos antepassados na cosmovisão.

Após compreendermos o Haka como uma das expressões mais poderosas da identidade Māori, entramos em outro universo igualmente profundo dentro da cultura ancestral: suas artes, músicas, instrumentos e indumentárias tradicionais.

AOTEAROA E ENTENDENDO O TERRITÓRIO

A Nova Zelândia, oficialmente conhecida como Aotearoa pelos seus povos indígenas, está localizada no sudoeste do Oceano Pacífico, a leste da Austrália e a sudeste da Papua Nova Guiné.

Sua geografia é marcada por duas ilhas principais (Ilha Norte e Ilha Sul), além de ilhas menores, com uma natureza exuberante montanhas, lagos, fiordes e fiordes glaciares. Na esfera urbana, cidades como Auckland (a maior), Wellington (capital nacional) e QUEENSTOWN (centro mundial de esportes de aventura) se destacam. QUEENSTOWN, por exemplo, é reconhecida internacionalmente como “capital dos esportes radicais”, oferecendo bungee jump, para-quedas, rafting e outras atividades de adrenalina. O país é formado por duas ilhas principais e mais de 700 ilhas menores.

 

Nomes das  principais ilhas (com nomes em māori) e população aproximada:

1. North Island – Te Ika-a-Maui: 4,04 milhões de habitantes (estimativa em 30 jun 2024).

2. South Island – Te Waipounamu: 1,24 milhão de habitantes (30 jun 2024).

3. Stewart Island / Rakiura: ~490 habitantes (30 jun 2024).

4. Chatham Islands – Rēkohu/Wharekauri (inclui Chatham e Pitt): 612 habitantes (Censo 2023).

5. Waiheke Island (perto de Auckland): 9.162 habitantes (Censo 2023).

6. Great Barrier Island – Aotea: 1.251 habitantes (Censo 2023).

7. D’Urville Island – Rangitoto ki te Tonga: 52 habitantes.

Obs.: existem muitas outras ilhas (a maioria sem moradores). A contagem total passa de 700 ilhas.

Historicamente, a colonização europeia se intensificou a partir do século XIX. A chegada de navegadores europeus conviveu com os povos Māori que já habitavam essas terras desde há mais de mil anos suas rotas de navegação polinésias os trouxeram até aqui. A constituição moderna da Nova Zelândia passa pelo tratado histórico Tratado de Waitangi (1840), que marcou o reconhecimento britânico (em parte) dos direitos Māori. Tornou-se Domínio (autogoverno interno) em 26 de setembro de 1907. A plena autonomia legislativa veio com a adoção do Statute of Westminster em 25 de novembro de

A ORIGEM DOS POVOS MĀORI: Vertente Acadêmica

Na visão acadêmica contemporânea, os Māori são considerados um povo polinésio pertencente ao grande tronco austronésios. Os estudos de: arqueologia, linguística, genética, navegação ancestral, e tradição oral comparada, indicam que os ancestrais Māori migraram gradualmente através do Pacífico até chegarem em Aotearoa (Nova Zelândia) por volta dos séculos XIII–XIV.

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CAMINHO MIGRATÓRIO SEGUNDO A ACADEMIA.

A teoria mais aceita hoje propõe aproximadamente este percurso:

Taiwan → Sudeste Asiático → Melanésia → Samoa/Tonga → Tahiti/Ilhas Cook → Aotearoa.

Os ancestrais austronésios desenvolveram: canoas oceânicas avançadas, velas triangulares, navegação pelas estrelas, leitura das correntes, observação de aves, padrões de nuvens e ventos.  Os Māori não eram “povos isolados”, mas parte da maior civilização marítima da Terra.

A TEORIA DE HAWAIIKI

Na tradição Māori existe o conceito de:

HAWAIKI. Hawaiki não é somente um lugar físico. Ela possui três dimensões: 1°Terra ancestral de origem, 2° Plano espiritual, 3° Local para onde os espíritos retornam após a morte. Acadêmicos associam Hawaiki às Ilhas Cook, Tahiti, Raiatea ou regiões centrais da Polinésia Oriental. Mas para muitos Tohunga (mestres tradicionais), Hawaiki transcende geografia. Ela é: origem da linhagem, ventre espiritual da humanidade, memória ancestral viva.

“ARTE”

NA CULTURA MĀORI, A ARTE NUNCA FOI SEPARADA DA ESPIRITUALIDADE.

Ela não existia apenas como decoração ou entretenimento, mas como uma linguagem viva capaz de transmitir genealogia, conhecimento, emoções, posição social, conexão ancestral e relação com o sagrado. Cada escultura, canto, tecido, adorno ou instrumento musical carregava mana, força espiritual e fazia parte da grande memória viva do povo.

A ARTE MĀORI O ESPÍRITO GRAVADO NA MATÉRIA

A arte Māori é marcada por padrões complexos, formas orgânicas e símbolos profundamente ligados ao WHAKAPAPA a genealogia ancestral. Madeira, osso, pedra e fibras naturais eram transformados em: esculturas cerimoniais, armas, casas ancestrais, embarcações, adornos, instrumentos musicais, e objetos sagrados.

AS FAMOSAS ESCULTURAS MĀORI, PRESENTES NAS:

WHARENUI: (casas cerimoniais ancestrais), não representam apenas figuras decorativas. Cada entalhe simboliza ancestrais vivos dentro da memória coletiva do povo. As espirais, rostos e padrões esculpidos contam histórias de linhagens, batalhas, migrações e forças espirituais da natureza

A MÚSICA MĀORI VOZ DA MEMÓRIA ANCESTRAL

A música tradicional Māori sempre esteve profundamente ligada: às cerimônias, à espiritualidade, às narrativas orais, ao luto, à guerra, ao amor, e à transmissão do conhecimento. Antes da escrita, o canto era uma das formas mais importantes de preservação cultural. Canções ancestrais carregavam: genealogias, ensinamentos, mapas de navegação, acontecimentos históricos, e emoções coletivas. A voz humana era considerada instrumento sagrado. O canto tradicional frequentemente utilizava: respiração forte, entonações profundas, ritmos corporais, e repetição ritualística.

WAIATA, O Canto Tradicional Māori. Os cantos tradicionais são chamados:

Existem diversos tipos de WAIATA: canções de amor, lamentos, cantos de guerra, cantos cerimoniais, homenagens ancestrais. Muitos WAIATA são executados coletivamente, fortalecendo o senso de pertencimento e unidade espiritual. Ainda hoje os WAIATA possuem enorme importância dentro das cerimônias Māori contemporâneas.

INSTRUMENTOS MUSICAIS MĀORI A VOZ DA NATUREZA.

Os instrumentos tradicionais Māori são chamados: TAONGA PŪORO Literalmente: “tesouros sonoros”. Na visão ancestral Māori, os instrumentos não produziam apenas música. Eles davam voz: aos ventos, aos oceanos, às aves, aos ancestrais, e às forças invisíveis da natureza. Cada som possuía intenção espiritual.

ALGUNS INSTRUMENTOS TRADICIONAIS PŪTATARA Feito a partir de conchas marinhas.

Era utilizado para: anunciar cerimônias, convocar pessoas, abrir rituais, e transmitir mensagens espirituais. Seu som lembra o chamado do oceano KOAUAU: Uma pequena flauta tradicional feita de: madeira, osso ou pedra. Seu som é suave, melancólico e profundamente espiritual. Muitos relatos ancestrais associam o KOAUAU: ao amor, à conexão emocional, e à comunicação espiritual.

PŪREREHUA: Instrumento giratório de madeira preso por corda. Seu som imita: vento, insetos, vibrações da natureza. Tradicionalmente era usado para: rituais, comunicação espiritual, e até mudanças climáticas.

AS INDUMENTÁRIAS MĀORI CORPO, STATUS E ESPIRITUALIDADE

As vestimentas tradicionais Māori não eram apenas roupas. Elas representavam: posição social, linhagem, proteção espiritual, conexão tribal, e identidade cultural. Os materiais utilizados vinham da própria natureza: fibras vegetais, penas, madeira, osso, pele, conchas.

 

KOROWAI OS MANTOS SAGRADOS

Os mantos tradicionais chamados: KOROWAI são uma das peças mais respeitadas da cultura Māori. Produzidos artesanalmente durante longos períodos, os KOROWAI podiam conter: penas, fibras de HARAKEKE (linho neozelandês) padrões tribais, e elementos cerimoniais. Eles simbolizam: honra, liderança, proteção ancestral, dignidade espiritual. O Corpo Como Arte Viva Dentro da visão Māori ancestral: o corpo humano também é arte sagrada. Por isso: pinturas, adornos, tatuagens, penas, tecidos, e joias tradicionais não eram usados apenas por estética. Cada elemento comunicava: pertencimento, função social, ancestralidade, estado espiritual, e conexão tribal.

A ARTE COMO MEMÓRIA VIVA

Talvez uma das maiores diferenças entre a arte Māori ancestral e a visão ocidental moderna seja esta: A arte Māori não buscava apenas “beleza”. Ela buscava: preservar memória, honrar ancestrais, fortalecer o espírito, ensinar valores, e manter viva a ligação entre humanidade, natureza e cosmos. Por isso, dentro da cultura Māori, arte e espiritualidade nunca caminharam separadas. Porque cantar, esculpir, vestir, dançar, tocar e criar, sempre foram formas de manter os ancestrais vivos através do tempo.

 

3° ABA CONTINUIDADE MITOLOGIA

A MITOLOGIA MĀORI A MEMÓRIA ESPIRITUAL DE UM POVO OCEÂNICO

A mitologia Māori não deve ser compreendida apenas como um conjunto de “lendas antigas”. Dentro da tradição ancestral de New Zealand, essas narrativas fazem parte de uma complexa cosmologia espiritual que explica: a origem do universo, da natureza, da humanidade, dos oceanos, da morte, e da própria relação entre os seres vivos. Essas histórias foram preservadas durante séculos através da oralidade, dos cantos, dos haka, das genealogias e dos ensinamentos transmitidos pelos: TOHUNGA os guardiões do conhecimento ancestral.

A MITOLOGIA MĀORI não separa: espiritualidade, natureza, ancestralidade e vida cotidiana tudo está conectado através do: WHAKAPAPA a linhagem cósmica que une humanos, montanhas, rios, oceanos, florestas e ancestrais. O Começo do Universo RANGINUI E PAPATŪĀNUKU No centro da cosmologia Māori está a união primordial entre:

RANGINUI o Pai Céu, PAPATŪĀNUKU a Mãe Terra.

Segundo os relatos ancestrais, ambos permaneciam abraçados em escuridão absoluta. Entre eles nasceram seus filhos os atua, as forças divinas da natureza. Mas os filhos viviam comprimidos sem espaço ou luz. Então um dos mais importantes atua: TĀNE MAHUTA, o deus das florestas e da vida, separa céu e terra, empurrando Ranginui para cima e Papatūānuku para baixo. Nesse momento nasce: a luz, o mundo físico, e o espaço onde a vida humana pode existir. Essa narrativa simboliza: o nascimento da consciência, a separação entre potencial e manifestação, e o surgimento da existência.

Māui Pesca a Ilha Norte

Uma das histórias mais conhecidas relata que Māui utilizou um anzol mágico para puxar do oceano uma enorme terra. Essa terra tornou-se: Te Ika-a-Māui Te Ika-a-Māui a Ilha Norte da Nova Zelândia. A canoa de Māui seria a Ilha Sul. A narrativa reforça a profunda conexão espiritual entre os Māori e o oceano.

Os Atua, As Forças Vivas da Natureza

Na tradição Māori, os atua não são vistos apenas como “deuses” distantes. Eles representam: inteligências espirituais, forças naturais, ancestrais cósmicos, e aspectos da própria existência. Entre os principais estão florestas, criação e conhecimento. TANGAROA oceanos e criaturas marinhas TĀWHIRIMĀTEA, ventos e tempestades. RONGO, paz e agricultura. TŪMATAUENGA, guerra e humanidade

HINE-NUI-TE-PŌ, morte e mundo espiritual

Cada elemento da natureza possui MAURI, força vital espiritual e ligação ancestral com os atua. HINE-NUI-TE-PŌ.  A Senhora da Noite Na tradição Māori, a morte também possui dimensão espiritual profunda através de:

HINE-NUI-TE-PŌ

A grande senhora da noite e do mundo espiritual. Segundo algumas narrativas, Māui tentou vencer a morte entrando em seu corpo para inverter o ciclo da mortalidade. Mas falho assim a humanidade permaneceu mortal. Essa história expressa: o limite da condição humana, o respeito pelo ciclo natural da vida, e a continuidade espiritual após a morte.

A NATUREZA COMO PARENTE

Uma das características mais profundas da mitologia Māori é que a natureza não é vista como objeto. Montanhas, rios, oceanos, florestas e animais… são ancestrais vivos. Por isso muitos Māori tratam determinados locais com profundo respeito espiritual. Na cosmologia Māori: a humanidade não está acima da natureza. Ela pertence à mesma família cósmica. A Mitologia Como Conhecimento Vivo Para os Māori ancestrais, essas histórias nunca foram apenas entretenimento. Elas serviam para: ensinar valores, preservar memória, transmitir conhecimentos ecológicos, explicar fenômenos naturais, fortalecer identidade coletiva, e manter viva a ligação espiritual com os ancestrais.

OS MITOS FUNCIONAVAM COMO VERDADEIROS ARQUIVOS VIVOS DE SABEDORIA.

A Permanência da Mitologia Māori Hoje Mesmo após colonização, repressão cultural e tentativa de apagamento linguístico, a mitologia Māori continua viva através: da língua, dos haka, dos waiata, das esculturas, das tatuagens, das cerimônias, e da revitalização cultural contemporânea. Hoje, muitos jovens Māori voltam a estudar: cosmologia ancestral, genealogias, navegação tradicional, astronomia indígena, e espiritualidade nativa. Porque para o povo Māori: preservar os mitos é preservar a própria alma ancestral de Aotearoa.

ESPIRITUALIDADE  E HAKA

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REO MAORI

TATUAGEM E MITOLOGIA

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